Foram cinco dias de greve da policia militar, dois dias de histeria coletiva e um momento em que alguns sentiram o que muitos vivem diariamente. É claro que as coisas ficaram mais intensas sem policiamento nas ruas, mas enquanto você se trancou em casa, apreensivo (ou em pânico, dependendo do tempo passado com a TV, jornal ou internet), na iminência de um ataque à sua integridade física ou bens materiais; para aqueles que convivem com esses sentimentos cotidianamente o medo virou realidade. “Não vô amanhã, os bandidos tão todos na rua ameaçando o pessoal”, é com essa frase que uma conhecida encerra a mensagem enviada para o meu celular na terça à noite.No entanto, no sexto dia a greve acabou e Fortaleza descansou. Se antes havia gente armada na rua abordando os transeuntes, roubando e ameaçando, agora basta que a filha da minha conhecida tome a precaução de sempre para sobreviver. “Enquanto eu tô fora, ela se tranca em casa e não fala com ninguém”, conta.
Não, não bastou alguém dizer “faça-se a violência!”, para que ela se fizesse em Fortaleza; ela sempre esteve ali, pairando ameaçadora sobre os bairros que não tem o privilégio de abrigar manjedouras com berço de ouro. Assim, ambém, os descontentamentos dos trabalhadores da segurança pública cearense não surgiram por determinação divina num dia em que o cara lá de cima estava de mau humor. A greve dos PMs/Bombeiros, assim como a dos Policiais Civis e a dos Professores, foram detonadas pelas condições de trabalho indignas e desumanas dessas categorias. Teriam sido evitadas caso o atual governo seguisse uma política social ao invés (ou quem sabe “ao lado”) da política ostensiva adotada, onde tudo tem que ser grande, tudo tem que ser imponente, tudo tem que meter medo.
O problema é que te
mor não enche barriga, não educa, não constrói casas, não traz saúde e, como ficou claro, não garante segurança. E na falta de tudo isso, sobra coragem para lutar, exigir e enfrentar ate mesmo grandiosas autoridades. E é aí que a coisa piora, quando se trata de Cid Gomes. Ao invés de buscar uma opção negociada e menos penosa para servidores e sociedade, o que se vê sempre é uma postura quase ditatorial por parte do nosso Governador.Cid tem demonstrado completa inaptidão para a política: uma prática social que se faz necessariamente com bases no diálogo e na discussão pública vem sendo gerida por alguém que já deu várias demonstrações de profundo autoritarismo e truculência, optando por passar o rolo compressor sobre críticos, opositores e, principalmente, sobre a população organizada. E tudo isso com o aval submisso dos poderes Legislativo e Judiciário.
Sim, a justiça parece mesmo cega no Ce
ará, mas a população é que não pode ficar calada. Terminamos um ano marcado por paralisações e a exposição de uma gestão governamental falha. Entretanto os problemas não findam com 2011 ou com o encerramento da greve dos PMs. Cid Gomes deve satisfações. Quais medidas serão tomadas para reverter os fracassos do seu governo? Vai abrir diálogo com a população insatisfeita? Esse é o momento de fiscalizar, mais adiante será o momento de votar. Ele pode até não responder agora, mas daremos nossa resposta depois.




